10 piores estados para ser trans no Brasil

*Keila Sympson
Fizemos o levantamento e cruzamento de dados para estimar as taxas de assassinatos das pessoas trans no Brasil, em relação do ano de 2017 e nos deparamos com índices alarmantes. A expectativa de vida das pessoas trans gira em torno de 35 anos e convivemos diariamente com o risco de morte no transito na sociedade.
Em 2017, a ANTRA iniciou um trabalho de mapeamento destes assassinatos e o transformou em um relatório contendo as informações sobre o perfil das vitimas, genero, raça e classe social em que se encontravam a maior parte das pessoas que foram assassinadas. Revelando ainda um estado omisso, criminosos soltos ou não identificados e a prova do porque estamos no topo da lista dos assassinatos contra a população de Travestis e Transexuais. Em 2018, fechamos parceria com o Instituto Trans de educação (IBTE) a fim de agregar ainda mais a visibilidade dos dados e fortalecer este importante trabalho.
Em recente matéria, o site Huff Post lançou um levantamento sobre Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher no Brasil. E resolvemos fazer o mesmo relação a população trans, visto que os dados referentes a nossa população ainda não tem sido visibilizados pelos órgãos que fazem este tipo de mapeamento.
DADOS
Em relação aos dados proporcionais a população, os 10 estados que mais assassinam Travestis e Transexuais do Brasil são: Paraíba, Alagoas, Roraima, Tocantis, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Pernambuco, Acre e Amazonas – com taxas de acordo com o quadro abaixo:
Taxa de Assassinatos 2017
Foram utilizados os dados levantados no Mapa dos Assassinatos de pessoas Trans no Brasil em 2017 da ANTRA e do Dossiê 2017 feito pelo IBTE. A novidade constante nos dados deste relatório é que fizemos um recorte sobre assassinatos, qualificados ou não no código penal. Mortes provocadas, intencionais e que contem requintes de crueldade. O que denota o ódio contra a nossa população. Aos nossos corpos e o desejo que eles despertam.
A negligência do Estado é tamanha que não há dados oficiais sobre os assassinatos em comento. A ANTRA e o IBTE decidiram publicizar esse descaso e escancarar esta ferida que segue aberta, que persegue e mata pessoas como eu, por ser quem somos, materializando esses dados por meio do presente relatório.
O levantamento é feito a partir de pesquisa dos dados em matérias de jornais e mídias vinculadas na internet. De forma manual, individual e diária. Há ainda grupos específicos que publicam informações sobre pessoas assassinadas e/ou são enviadas informações através da rede de afiliadas da ANTRA, IBTE e Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública – LGBTI (RENOSP), pelos mais diversos meios e canais de comunicação (Email, Facebook, Whatsapp, etc).
Os dados não seguem um padrão, há muitos casos em que não existe respeito a identidade de gênero das vítimas ou mesmo o nome social.
DENUNCIAS
Diante do panorama e do aumento assustador destas violências, temos feito diversas ações com o intuito de visibilizar e denunciar através dos dados coletados e denuncias feitas a órgãos internacionais.
Em janeiro de 2018, no Dia da Visibilidade Trans, o Relatório MAPA DOS ASSASSINATOS 2017 – ANTRA foi entregue ao Representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA-ONU/BR 2018), Sr Jaime Nadal, na Casa da ONU em Brasília_DF.
E em Maio de 2018, durante o 168º Período de Sessões da Corte Interamericana dos Direitos Humanos, em Santo Domingo, Republica Dominicana, nas mãos da Sra Margarette May Macaulay. A fim de denunciar os assassinatos e a crescente onda de violência contra a população de Travestis e Transexuais, inclusive contra militantes e defensoras dos Direitos Humanos que foram brutalmente assassinadas em 2017.
Recentemente, foi entregue ainda uma cópia nas mãos do Ministro Luiz Roberto Barroso, no Supremo Tribunal Federal, a fim de trazer para o debate, estas violências e violações dos direitos da população trans e o Transfeminicídio Estrutrual no Brasil.
Keila Sympson é presidente da ANTRA

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